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Entretenimento no Brasil – Aqui e Acolá

by Brazil Away
Entretenimento em Salvador

Quem vem acompanhando as edições aqui da Magazine da Brazil Away está vendo que eu estou rodando “Aqui & Acolá” e estou contando tudo sobre o entretenimento nos estados brasileiros na íntegra por aqui. Para acompanhar essa linda viagem pelo Brasil (e dentro de mim mesmo), temos que ter como premissa que acredito muito que o futuro está na origem. E neste momento, a origem é o meu destino.

Entretenimento Wagner Rusca

Na edição anterior, falamos dos lindos e queridos estados do Rio grande do Norte e o lindo povo “Potiguar” e da tão histórica Paraíba. Nesta edição, vou contar um pouco sobre a estonteante Bahia e todo o coolness de Pernambuco. Confesso que estava animadíssimo para escrever sobre estes 2 lindos estados. E aqui está: a minha deliciosa e surpreendente experiência nessa terra de “meu Deus” que é o Brasil.

Lembre-se, caro leitor, que termino cada vivência aqui exposta na colina, como nas edições anteriores, com as respectivas receitas de cada estado. Ôxe e Axé para todo mundo!

Entretenimento em Pernambuco

entretenimento em Pernambuco

Parede Ilustração Olinda

Peguei minha carona do Blablacar em João Pessoa com destino à Recife. Estava acompanhado do motorista e mais um rapaz que também desejava chegar na capital de PE. Era 17/11/2021.

Um silêncio educado segurou o bate papo por alguns minutos. E quando começou, foi logo por um comentário espantoso do Neto, o motorista: “- Caramba, vejam o preço do Peru! Neste Natal não vai rolar”. O outdoor marcava R$299. Surpreso com esse roubo à luz do dia, continuei escutando por mais alguns segundos. Mas, por estar nesse período tão pensativo, logo lancei uma reflexão, questionando se esse é mesmo um prato não apenas saboroso (sem julgamentos), mas se é típico da nossa cultura e nosso desejo.

E se deveríamos, de fato, consumir essa ave e essa “cultura” embalada à bagatela de R$299, e importada dos Estados Unidos. Recebi uma devolutiva positiva e cheia de riquezas da nossa terra, defendidas por Neto: “- Pô, temos a nossa galinha à cabidela, o frango caipira, o galeto. Tudo isso com uma farofa temperada e arretada…” Tendo escutado isso, soltei um sorriso orgulhoso por trás da máscara que vestia e senti que Pernambuco me esperava com o novo. E também com muita filosofia e reflexão.

Desse jeitinho bem gostoso que estou vivendo e descobrindo meu país e a mim mesmo. Em terra de Gilberto Freyre, Alceu Valença, Francisco Brennand, Thiago Chagas, Bruno Albertim, Milenna e Jeff, senti que meu repertório não sairia dali se não explodisse de ideias, de pensamentos e de conhecimentos. Tudo ali ferve, como o frevo, em nossa mente.

Com um encontro que eu ansiava desde o início dessa minha jornada, pude emprestar (muito agradecido) o olhar do Bruno para ver um Nordeste plural, múltiplo em muitos sentidos, cheio de inteligência, filosofia, orgulho, criatividade e emoção.

Ali, aprendi demais. Entre tudo, que o Nordeste deu muito certo, ainda que exista muita coisa para melhorar (me refiro à desigualdade e temas relacionados à economia).

Ali é lugar de gente alegre, feliz. É onde pessoas de todos os estados vão passar férias. Para ter momentos de plena felicidade e prazer. Nesse ponto, Thiago Chagas – à frente de uma cozinha ancestral e extremamente criativa – me fez ver que Pernambuco (e o Nordeste em si) é farto. E não escasso, como costumam retratar.

Não é escasso de água, nem de alegria e menos ainda de amor e sabor. Do chão vem frutas, tubérculos, raízes e ervas. Dos instrumentos, forrobodó, xaxado, frevo, maracatu e baião. Das pessoas, alegria e muito orgulho. Um orgulho “patriota” que muda o que é “de Recife” para o que é “do Recife”. Um Recife específico, único e lindo. Comentei com Bruno, referência de pensamento de muitos temas pra mim, que os outros estados brasileiros deveriam ter o mesmo patriotismo.

A mesma postura e autoestima (eu conversava disso também com Marina Sá na Paraíba – pauta da matéria anterior). Temos tantas histórias e pontos que nos engrandecem como nação, que deveríamos sim estufar o peito e encher a boca para falar de cada uma das nossas culturas. De todas as nossas conquistas.

Para minha alegria, Bruno olhou fundo para mim e balançou a cabeça sugerindo que estava no caminho correto de raciocínio. Esse momento é um exemplo do que estou falando, pois senti um orgulho imenso de mim mesmo ao ter a afirmação de Bruno sobre meu pensamento.

Com isso, levo um dever em pensar em como podemos contar tudo isso. Todo esse “baião de muitos” e não apenas “de dois” que somos e que formamos.

Mas fora toda a filosofia, descobri ali também as diferenças marcadas do xaxado, do xote e do frevo, além de muitas histórias dos ritmos e do nosso gingado. Descobri, e preciso destacar, a beleza das ruas de Olinda. Mas mais ainda, do amor desse povo, que me jogou em uma linda e cultural boemia. E que só me deixou com mais curiosidade e anseio por um carnaval e mais diversão e experiências nessa terra de gigantes.

Desde os bonecos até os imensos corações das pessoas.

O reduto Recife-Olinda leva todo o coolness que jamais imaginei e que nunca vi em nenhuma outra cidade brasileira. É inteligente, próximo, chique, provocante, colorido e elegante. É estonteante. Especialmente à noite.

Para mim, é a foto de uma linda e clara noite tropical – como retratada nos documentos dos navegadores portugueses ao se aproximarem da terra que hoje chamamos de Brasil: “…claro é o céu que está nos trópicos e ao que nos aproximamos.” No final, não sei se foram as teclas suaves do piano de cauda do Restaurante Leite, ou os sorrisos singelos das senhoras que se sentavam sobre as toalhas brancas das mesas – e que lembravam de minhas ausentes avós e nossas reuniões de domingos, ou ainda o sabor da “Cartola” com a doçura do maître Lucas, mas confesso que derramei um par de pesadas lágrimas, que escorreram solas e emocionadas pelo meu rosto e que fecharam essa temporada rápida, intensa e cheia de ritmos e cores por Pernambuco. Certo, voltarei.

Entretenimento na Bahia

entretenimento na bahia

A chegada à Bahia por Salvador foi tranquila. Voo no horário, cama boa e localização perfeita (juro que, pra quem planeja e controla, cada coisa destas importa – e muito – no roteiro).

No Sul do estado, igual. O difícil foi sair. Sim, os preços das passagens para Belo Horizonte triplicaram e, nessa parte, eu não planejei muito bem – confesso. Mas, o mais difícil, na verdade, foi sair depois de tudo que vivi. Depois do conhecimento e referências que adquiri. Pelas relações que construí e por toda a imersão e viagem interna que me meti. Afirmo em dizer que estamos todos vivendo uma busca interior constante.

Lembram que acredito que o futuro está na origem? Pois aqui na Bahia, tudo brota da origem. Só pra se ter noção, é nessa terra que os africanos mantêm toda a cultura e alma de que os foi tirada séculos atrás. No sul, o mesmo acontece com os nativos.

Com os Pataxós e todas as etnias, quando percebi a olhos nus as marcas da colonização, que com a disseminação e violência, arrancaram-lhes todos os códigos culturais e sociais. Suas almas. E vi que na Bahia essa galera luta e resiste, até hoje, por todos esses universos essenciais. Até hoje! Isso mesmo. Surreal. Olhando pelo lado bom, se é que há um lado bom em todo esse bololô que o passado gerou, vi muita beleza, amor, ancestralidade, o sincretismo. Vi muita fé e axé.

Em Salvador, descobri muito de mim mesmo. Parecia que os tambores do candomblé entravam em minha alma. Que os sabores oleosos do dendê passeavam nas memórias gustativas da minha boca. E que as palavras da Dona Mariquita, já haviam passado pelos meus ouvidos. Na reserva dos Pataxós, o cheiro da amescla feito da benção pelo Pajé Iaoré me trouxe o defumado das Festas do Divino, em Descalvado.

Senti que, embora sejamos gigantes territorialmente, tenho muito dalí. Temos muito (muito) para evoluir, mas me acalma o coração que nesta terra, pelo menos, tudo se mescla. As pessoas, as comidas, as culturas, os batuques e todo esse pluralismo que nos faz brasileiros.

Percebi, pela cozinha, que a gente se apropriou do dendê – africano em pura essência – mas adicionou o leite de coco. Essa gordura doce que integra leveza e cremosidade para os guisos e pratos ancestrais. Descobri que o Brasil é cremoso.

E depois de provar tantas comidas e experiências, me senti transformando. Assim como se transforma um alimento na cozinha. Talvez esteja amadurecendo, ficando mais doce. Estou compondo um prato, ainda que estando sozinho, estou interpretando meu papel de sabor nesse plural. E sinto que eu alimento alguém. Não pelo que faço de comida, mas por qualquer aptidão que ajude alguém. Um café, uma palavra, uma ligação.

E isso clareia meu caminho, que decidi seguir mais fiel aos meus instintos. Eu não poderia ficar mais à beira. Eu iria apodrecer. Seria um alimento fétido, com sabor amargo. Envelheceria amargo. A viagem para Salvador me transportou para um mundo novo, onde o português está menos presente que o africano.

Mas que, em sua mescla, gerou o baiano. Percebi as marcas das etnias dizimadas pelas doenças e violências da colonização.

SAIBA MAIS: Para ver mais dessa vivência, você pode seguir o perfil do Instagram do Wagner (@wagnerrusca).

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